As doenças do coração continuam sendo uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Diagnosticar precocemente os sintomas de infarto é vital para salvar vidas, minimizar danos ao músculo cardíaco e melhorar o prognóstico.
Este artigo explica quais são os principais sinais que indicam infarto, quando buscar ajuda, quais exames de coração podem confirmar o diagnóstico, além de como um médico cardiologista atua nesses casos, focando sempre na saúde cardiovascular.
A gravidade das doenças cardiovasculares
Segundo relatório do “Cardiovascular Statistics — Brazil”, estudos recentes mostram que as doenças isquêmicas do coração (que incluem infarto) são responsáveis por mais de 30% das mortes por doenças cardiovasculares no Brasil.
Uma publicação da HáAjournals / Circulation apontou que, em 2019, cerca de 400.000 mortes por doenças cardiovasculares foram registradas no país, sendo que uma parcela considerável decorreu de infarto do miocárdio.
Esses números ressaltam a importância de identificar rapidamente os sintomas de infarto e agir imediatamente.
O que é um infarto
O infarto do miocárdio ocorre quando uma artéria coronária fica obstruída, impedindo o fluxo de sangue para parte do músculo cardíaco.
Essa falta de oxigênio provoca morte das células cardíacas. Quanto mais cedo for restabelecido o fluxo, menores serão os danos. A obstrução geralmente ocorre por uma placa de aterosclerose que se rompe, formando um coágulo.

Principais sintomas de infarto
Embora existam variações individuais, especialmente entre idade, sexo ou presença de outras doenças, os sintomas mais comuns que não podem ser ignorados incluem:
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Dor ou desconforto no peito
- A forma clássica: dor opressiva, sensação de peso, aperto ou queimação no centro do peito. Pode durar vários minutos.
- Pode irradiar para o braço esquerdo, ombro, mandíbula, costas ou tórax superior. -
Falta de ar (dispneia)
- Pode ocorrer com ou sem dor no peito, especialmente em casos de infarto maior ou comprometimento significativo da função cardíaca. -
Sudorese fria
- Transpiração intensa, fria, sem explicação aparente. -
Náuseas, vômitos, tontura ou sensação de desmaio
- Frequentemente acompanhadas por mal-estar geral, palpitações ou sensação de que algo está “errado”. -
Fraqueza súbita ou fadiga
- Cansaço incomum, sensação de fraqueza marcada, mesmo em repouso. -
Palidez ou pele fria/pegajosa
- Mudanças visíveis no aspecto da pele, devido à reação do corpo à crise cardíaca. -
Sintomas atípicos
- Algumas pessoas, especialmente mulheres, idosos ou diabéticos, podem apresentar sintomas menos típicos, como desconforto no abdômen, falta de apetite, dor nas costas ou nos braços sem dor no peito clássico.
Quando procurar um médico cardiologista
Se qualquer um destes sintomas de infarto for identificado, especialmente em combinação (dor no peito + sudorese + falta de ar), é crucial buscar ajuda médica imediata. Isso significa:
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Acionar serviço de emergência ou ligar para o SAMU ou equivalente (número 192 no Brasil).
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Ir ao hospital mais próximo com capacidade de atendimento cardíaco.
Além disso, mesmo após estabilização, é importante consultar um médico cardiologista para avaliação completa, análise de exames e definição do tratamento adequado.
Exames de coração que confirmam o diagnóstico
O diagnóstico de infarto geralmente é baseado em vários exames em conjunto:
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Eletrocardiograma (ECG) – primeiro exame a ser feito, identifica alterações no ritmo, presença de elevação de segmento ST ou outras lesões isquêmicas.
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Marcadores cardíacos no sangue (troponinas, CK-MB) – indicam lesão do músculo do coração.
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Exames de imagem – ecocardiograma para avaliar função do músculo cardíaco, se há complicações; angiografia (cateterismo) para ver as artérias coronárias.
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Radiografia de tórax – para identificar edema pulmonar ou outras complicações.
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Outros testes – dependendo do caso, teste ergométrico, cintilografia ou tomografia coronariana.
Esses exames de coração ajudam não só a confirmar o diagnóstico, mas também a definir a extensão do dano, o tratamento ideal e o prognóstico.
Tratamentos possíveis e importância da ação rápida
Uma vez confirmado o infarto, as opções incluem:
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Terapia de reperfusão: angioplastia primária (procedimento invasivo) ou uso de trombolíticos (medicamentos que dissolvem o coágulo), dependendo do tempo desde o início dos sintomas e da estrutura hospitalar disponível.
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Cuidados intensivos: monitoramento, suporte hemodinâmico se necessário, controle da dor, oxigênio.
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Medicações: antiagregantes plaquetários, estatinas, betabloqueadores, inibidores da enzima conversora, entre outros.
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Mudanças no estilo de vida: cessar tabagismo, dieta balanceada, prática de exercícios, controle de pressão arterial e glicemia.
Quanto mais rápido for feito o atendimento — idealmente dentro de 1 a 2 horas do início dos sintomas clássicos — menor será o dano irreversível ao coração.
Dados reais que mostram a necessidade de atenção
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Conforme “Cardiovascular Statistics Brazil 2023”, doenças isquêmicas do coração continuam responsáveis por cerca de 30% das mortes por doenças cardiovasculares no Brasil
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O aumento da mortalidade por infarto tem sido mais evidente em municípios com menor acesso a saúde especializada.
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Estudo “Cardiovascular Care in Brazil: Current Status, Challenges …” indica que, em 2019, cerca de 23,9% das mortes por doenças cardiovasculares foram atribuídas diretamente ao infarto do miocárdio.
Prevenção e papel do médico cardiologista
O médico cardiologista desempenha papel central não apenas no tratamento emergencial, mas também na prevenção:
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Identificação precoce de fatores de risco (hipertensão, colesterol alto, diabetes, tabagismo, sedentarismo).
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Realização de consulta de cardiologia regular para acompanhamento.
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Solicitação de exames de coração de rotina (como ECG, ecocardiograma, avaliação de estresse) em pacientes com risco.
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Orientações de estilo de vida (“modificação comportamental”) para manter a saúde cardiovascular.
Essas medidas evitam que os sintomas de infarto apareçam ou que, aparecendo, resultem em danos graves.
O que ignorar significa para a saúde
Ignorar sintomas — mesmo que pareçam leves — pode levar a:
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Maior extensão de dano ao músculo cardíaco.
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Desenvolvimento de complicações como insuficiência cardíaca, arritmias, choque cardiogênico.
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Maior risco de mortalidade.
Estudos apontam que muitas pessoas demoram para buscar atendimento, seja por medo, desconhecimento ou minimização dos sintomas, o que piora o prognóstico.
Conclusão
Reconhecer os sintomas de infarto — como dor no peito, falta de ar, sudorese fria, tontura, náuseas — pode salvar vidas.
Se você apresenta um ou mais desses sinais, não espere: procure atendimento de emergência imediatamente.
Após estabilização, a consulta com um médico cardiologista e os exames de coração são essenciais para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade, definir o tratamento e prevenir futuras crises.
Quanto mais cedo for a intervenção, melhor para manter a saúde cardiovascular e minimizar os danos das doenças do coração.